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Pintando uma Figura Passo a Passo
Modelo:
Murilo Moreira Jr.
Texto
e fotos: M. Moreira Jr.
Kits
utilizados: "Commander in Hannibal´ s Army (218-201)" do
fabricante italiano Pegaso Models
Escala:
75mm
Data:
Outubro, 2007 |
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Introdução
As forças armadas de Aníbal
eram multi-étnicas. Nobres de Cartago, guerreiros celtas e ibéricos,
mercenários provenientes dos desertos da Líbia e das ilhas gregas,
cavaleiros berberes e até mesmo povos que habitavam a própria
península itálica formavam o exército que aterrorizou Roma e a
venceu em diversas batalhas.
Refletindo suas diversas origens, o uniforme e equipamento destas
tropas era também uma miscelânea de estilos trazidos de suas
diferentes pátrias, mas também obtidos de seus inimigos
vencidos.
Esta figura, esculpida por
Maurizio Bruno, é um exemplo desta mistura de estilos. Seu tamanho é
75mm, o que corresponde à escala 1/24. As figuras desta série de
75mm estão dentre as
melhores da Pegaso que, por sua vez, é considerada por muitos como a
melhor fabricante de figuras do mundo.
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Inspeção do Kit
A qualidade da escultura e a
riqueza de detalhes é evidente ao se abrir a caixa. As peças são
praticamente livres de defeitos como rebarbas ou bolhas.
Uma coisa que deve ser feita sempre é a conferência e contagem das
peças. As menores devem ser colocadas em um saco plástico fechado
para evitar sua perda.
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A primeira coisa que examino
numa figura é a cabeça e, principalmente, os olhos. Se os olhos não
tiverem sido bem esculpidos não existe truque de pintura que os faça
ficar naturais. |
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Materiais e Ferramentas
Como poderá ser visto as
ferramentas que uso são simples e baratas, disponíveis em lojas de
ferramentas, materiais de construção ou mesmo supermercados.
Limas
A foto ao lado mostra a principal ferramenta do modelista de figuras de
metal: a lima-agulha, também chamada de lima de relojoeiro.
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Existem em diversos tipos e formas, cada qual com uma finalidade
diversa, mas não é necessário comprar todas para começar. As limas
curvas, por exemplo, são de pouca ou rara utilidade. As mais úteis
são as seguintes:
- circular crescente: uso geral
- quadrada: acertos retos
- meia cana: para os cantos
- plana: para grandes desgastes
As melhores limas são aquelas com as estrias mais finas e, garalmente são feitas na Suiça ou na Alemanha. As limas mais baratas
tem estrias mais grossas e não dão um bom acabamento.
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Lixas
Baratas e disponíveis em qualquer loja de materiais para construção,
as lixas d'água complementam o trabalho realizado pelas limas e tem
três finalidades básicas:
1) Chegar em pontos onde a lima não alcança.
2) Dar acabamento, deixando a superfície limada mais lisa.
3) Remover irregularidades da pintura.
Para facilitar o uso costumo cortar a lixa na forma de pequenos
retângulos e dobrar no meio para dar firmeza. Uso as lixas de número
240, 320, 400 para montagem e 600 ou 1000 para a pintura.
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Estiletes
Servem para cortar pequenas peças, remover rebarbas, desbastar, etc.
Devem ser usados com extremo cuidado.
Prefira os modelos com cabos totalmente metálicos, já que os de ponta plástica
são praticamente descartáveis. |
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Colas
Uso três tipos:
1) Super Bonder - para unir pequenas peças ou que tenham um ponto de
contato escasso. Cola quase instantaneamente se for usada uma
pequena quantidade e sempre aplico com a ponta de um palito, nunca
diretamente do tubo.
2) Adesivo epóxi bi-componente - para grandes peças, especialmente
metálicas ou que ficarão sujeitas a algum tipo de esforço. Demora
alguns minutos para colar.
3) Adesivo epóxi metálico - também bi-componente, este adesivo tem a
vantagem de conter em sua mistura um alto teor de metal, o que
permite que seja lixado, limado ou furado após seco como se fosse
realmente de metal. |
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Outras Ferramentas
- Pinças: a mais fina, de marca Roney, uso para remover sujeira que
cai sobre a tinta durante o processo de pintura. As demais são de
uso geral no processo de montagem.
- Alicate/cortador de unha: para cortar pequenas peças.
- Tesoura: para cortar as lixas e uso geral.
- Broca manual: para fazer pequenos furos, pinar as peças, abrir o
cano de armas, etc.
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Massas
Servem para fazer acertos grandes ou pequenos, remendos, cobrir
furos e frestas, remodelar áreas com defeitos, alisar superfícies e
muito mais.
Para pequenos defeitos uso massa putty. A da Tamiya é melhor quando
pura, a da PPG é melhor
dissolvida em thinner. NÃO USE PUTTY DISSOLVIDA EM THINNER EM
FIGURAS DE PLÁSTICO, APENAS RESINA OU METAL.
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Humbrol não é tão boa quando a Tamiya mas seca mais rápido. A PPG é
extremamente mais barata que as outras duas. Uso massa epóxi para
grandes remendos ou para reproduzir uma determinada textura, ou
ainda quando é necessário remodelar um detalhe que foi perdido.
Tamiya e Humbrol são encontradas em lojas de modelismo/hobbies. PPG
somente em lojas de tintas automotivas que revendem esta marca.
Durepóxi em papelarias, supermercados ou lojas de materiais para
construção.
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Tipos de Tintas
Para facilidade de exposição vou dividir as tintas nos três tipos que uso,
ou seja, acrílicas, esmaltes e óleos, mas
existem muitos outros, como as automotivas, por exemplo.
As observações são de caráter geral. |
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Acrílicas –
secam extremamente rápido e resultam num acabamento muito fosco, o
que é ótimo para dar cobertura mas ruim para efeitos. As cores metálicas não são tão boas quanto
suas equivalentes em esmalte. São menos tóxicas que as esmaltes. Devem ser diluídas em
água para uso com pincel, o que é ótimo pois passar tinta acrílica
sobre outra tinta não causa qualquer tipo de reação adversa. São
péssimas para a durabilidade e manutenção dos pincéis.
Esmaltes – demoram algumas horas para secar, dão cobertura razoável,
são adequadas para efeitos como pincel seco e lavagem, as cores metálicas são
ótimas e não destroem os pincéis. Devem ser diluídas em aguarrás ou
similar para uso com pincel. Terebintina também pode
ser usada, mas não a recomendo principalmente por causa do cheiro e
por ser um solvente muito forte que ataca a camada de baixo mesmo se for acrílica, o que não acontece com a aguarrás.
Tintas a Óleo – demoram vários dias para secar e
não dão boa cobertura, já que muitas são translúcidas, motivo pelo
qual são usadas de forma totalmente diversa das acrílicas e
esmaltes. Podem resultar em acabamento acetinado ou brilhante, o que
geralmente é ruim para nós. Não devem ser diluídas, mas espalhadas.
São ótimas para os pincéis. São perfeitas para pintar pele, couro,
madeira e para efeitos de luz e sombra.
Principais Marcas de Tinta Disponíveis no Brasil
Tamiya – tinta acrílica importada muito popular no Brasil e
facilmente encontrável até alguns anos atrás, hoje se tornou mais
rara. Tem como característica principal o fato de secar muito
rápido, o que é ótimo para quem pinta com aerógrafo, mas nem sempre
desejável para quem usa pincel. A linha de cores não é tão grande
como nas outras marcas. Um ponto positivo da Tamiya é que a vedação
do potinho é perfeita. Tenho potes desta marca com mais de 15 anos e a
tinta permanece boa.
Vallejo (Model Color) – tinta acrílica importada, tida e havida como
a melhor do mundo para
figuras, ponto de vista com o qual fui obrigado a concordar depois
que a usei. Tem uma variedade impressionante de cores direcionadas
para a pintura de uniformes. É altamente trabalhável no pincel e vem
com um conta-gotas que evita qualquer perda.
Hobby Cores - tinta acrílica feita no Brasil. É mais trabalhável que Tamiya no pincel
e tem algumas cores bem interessantes. As foscas são ótimas, as
metálicas não funcionam no pincel e as brilhantes não conheço. O
sistema de vedação é razoável. No geral considero inferior somente à Vallejo.
Acrilex – tinta acrílica feita no Brasil para uso em artesanato.
Pode ser usada para pintar figuras desde que seja sobre primer, o
que não chega a ser exatamente uma grande vantagem porque se você
der um bom e sólido primer branco na figura pode usar praticamente qualquer tinta
por cima.
Eu uso as cores básicas tais como branco, preto, vermelho, amarelo e
funciona direitinho. As cores específicas devem ser obtidas por
mistura, já que não estão disponíveis. A vantagem desta tinta é o
baixo preço e fácil disponibilidade, já que é encontrável em
qualquer boa papelaria.
Decorfix – tinta acrílica feita no Brasil pela CORFIX para uso em
artesanato. O que escrevi sobre a Acrilex vale para ela também.
Acredito que é ligeiramente melhor que Acrilex mas tenho pouca
variedade de cores desta marca para comparação e um julgamento mais
preciso.
Humbrol – tinta esmalte importada com uma gama de cores muito
completa e com diversas
específicas para uniformes. Resulta em um acabamento fosco próprio
para figuras e é facilmente trabalhável. As cores metálicas são
muito boas. O único ponto realmente negativo desta marca é que o
sistema de vedação da latinha é simplesmente péssimo, resultando
invariavelmente na perda de grande quantidade da tinta.
Revell - tinta esmalte importada que também usa a latinha
estilo Humbrol.
Testors - tinta esmalte importada cujo ponto negativo também é o
sistema de vedação que não chega a ser tão ruim quanto o da Humbrol,
mas ainda deixa muito a desejar. As cores metálicas são muito boas,
especialmente a cor “Steel” (aço).
Model Masters – linha de tinta esmalte fabricada também pela Testors
que vêm num vidrinho
redondo. Nunca dei muita sorte com esta tinta mas ela não é ruim. A cor
“leather” (couro) desta marca é a mais real que conheço.
Winston & Newton – tinta a óleo importada, considerada a melhor do
mundo por quase todos os que usam este tipo de tinta para pintar
figuras. Infelizmente o que chega no Brasil é a série Winton que é
uma linha econômica e tem poucas cores. Ainda assim é melhor do que
qualquer coisa fabricada por aqui e, consequentemente, custa quatro
vezes o preço do similar nacional. Vale cada centavo
investido nela. Se não for possível comprar todas as tintas desta
linha, compre pelo menos as que são usadas para pintura de pele.
Corfix e Gato Preto – tintas a óleo fabricadas no Brasil
muito baratas e de boa
qualidade, embora inferiores à W&N.
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Pincéis
De todas as ferramentas que usamos as mais importantes são os
pincéis. Dá para comprar lima de camelô, substituir putty por
durepóxi, usar tinta de artesanato, improvisar ferramentas, mas
pintar com pincel ruim é fatal para o resultado que vai ser obtido.
A lista dos principais pincéis que uso é a seguinte:
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- Tigre 266-16 Pônei Brasil: pincel feito no Brasil, de custo
acessível, sua principal utilidade é nivelar pinturas com tinta a
óleo e eliminar marcas de pincel.
- Tigre 321-2 Marta Brasil: também nacional, mas de custo elevado,
serve para se trabalhar o efeito de "blending". Pode ser substituido
pelo Tigre 80-0.
- Micro-mark 81081-2: produzido nos EUA, de custo muito elevado,
serve especificamente para aplicar a técnica do pincel seco. Eu já tinha
praticamente abandonado esta técnica devido a falta de bons pincéis
até que recentemente me apresentaram este aqui. Pode ser substituído
(com prejuízo da qualidade) por pincéis chatos da linha Tigre.
- Tigre 80-2 e 0 Pônei Brasil: pincéis de baixo custo para pintura
plana ou de áreas maiores.
- W&N Series 7 000 e 00: pincéis importados, muito caros, servem
para a pintura de detalhes ínfimos como olhos, pestanas,
sobrancelhas, insígnias, etc. Somente uso com tinta a óleo ou
esmalte para não estragá-los. Podem ser substituídos por seus
equivalentes da linha Tigre 308.
- Tigre 308-0 e 308-1 Marta: para pintura de detalhes, especialmente se
for usada tinta acrílica ou esmalte metálica, que costumam destruir
os pincéis
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Solventes
Finalmente, somente para
concluir esta apresentação de materiais e ferramentas, o godê de
porcelana que uso para preparar as tintas e os solventes da marca Corfix.
A aguarrás é o solvente das tintas esmalte e o thinner serve apenas
para a limpeza dos pincéis.
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A Montagem do Kit
Verifico peça por peça em busca de defeitos como linhas de molde,
bolhas, excessos.
Esta figura foi bem fundida, mas existem vários defeitos. O mais
difícil de consertar será esta linha de molde que passa em
cima de vários detalhes. Vou ter de usar estilete, lima, lixa e
massa putty. |
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A peça acertada. Notem que
dentro do enfeite oval eu não forcei muito para não perder os
detalhes.
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Superfícies lisas são fáceis de
acertar com lima, lixa e massa ... |
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... mesmo quando são são
planas. Neste caso usei a lima redonda crescente para afinar a borda
da capa e tornar seu aspecto mais real.
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Também é necessário testar o
perfeito encaixe entre as peças. O encontro entre o torso e a parte
central da capa está bem ajustado mas ficou uma enorme fenda entre
eles. Contudo, isto não será problema pois este defeito ficará
totalmente encoberto pela pele de lobo. Se ficasse aparente teria de
ser acertado com massa epóxi, lixa e putty. |
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Todas as peças acertadas,
encaixes testados, vou começar a colar. A princípio colo tudo antes
de pintar, desde que isso não atrapalhe a pintura. É necessário
deixar acesso a todos os pontos.
A cabeça não é problema, dá para colar tudo sem prejuízo para a
pintura. As peças são pequenas,
então aplico Super Bonder com um palito, nunca direto do
frasco.
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Depois de tudo colado faço um
furo embaixo com a broca manual ...
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... e encaixo um palito de
dentes no furo, de forma a facilitar o manuseio da peça durante a
pintura. |
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Com um pincel velho passo Putty PPG diluído em thinner nos
encaixes de forma a cobrir qualquer fenda que tenha ficado. A PPG
diluída é melhor que qualquer putty para plastimodelismo que eu já
tenha usado, sem falar que custa uma fração do preço.
Observação: aplicar PPG diluído no thinner apenas em modelos de
metal e resina, nunca em plástico. |
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Depois de seco basta acertar com lixa e está pronto. |
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Montar a cabeça foi simples,
mas a capa vai dar trabalho. Ela vem partida em três, sendo que um
dos pedaços contêm um braço. |
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Mas o pior vem agora: não dá
para colar tudo no corpo, pois o acesso da pintura nas laterais e
atrás
seria muito prejudicado.
Também não dá para colar os três pedaços da capa, pintar e encaixar
no corpo já pintado.
O jeito vai ser pintar os pedaços da capa separados do corpo e
encaixa-los depois do corpo pintado. O ruim disso é ter que emassar,
lixar, limar, colar, etc. depois da pintura da pronta, mas dá para
resolver. |
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Decidi juntar os dois pedaços
onde a emenda ficaria mais evidente para diminuir a dificuldade na hora
de pintar.
Inicialmente colei os dois pedaços com Super Bonder para firmar no
lugar. Outro tipo de cola simplesmente iria demorar muito para
secar. SB é quase instantânea. |
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Só que ficou uma enorme fenda
entre as duas peças que tem que ser disfarçada com algum tipo de
massa. Além disso a Super Bonder não é muito adequada para este tipo
de união, já que na hora de colocar a capa sobre o corpo terei de
fazer um ajuste que vai impor um esforço sobre aquela peça. Há risco
de descolar nesta hora. Portanto, vou passar adesivo epóxi metálico
sobre a fenda.
Além de resistente este adesivo pode ser lixado e limado. É quase
como se fosse uma solda a frio. Misturei os dois componentes e
apliquei com um palito. |
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Finalmente, usando um pincel
velho passei putty PPG
diluído por cima de tudo e lixei com lixa d'água após a secagem da
massa. |
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Uma coisa é preocupante nesta
figura: o braço
direito ficará em balanço, colado apenas em uma extremidade e
sujeito à ação de seu peso. Uma pequena batida pode ser suficiente
solta-lo no futuro.
Vou ter de pinar o braço na capa. Começo colando uma peça na outra
com Super Bonder. A SB não vai resistir sozinha, só serve para fixar
as duas peças. |
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Testo novamente o encaixe,
porque depois de pinado fica complicado mexer e faço o furo com a
broca manual, perpendicular à emenda.
Notem que esta não é a forma correta de segurar a peça e a
ferramenta, mas tenho que tirar a mão para não dar sombra na foto. Neste
ponto é necessário cautela para evitar que a broca atravesse as
peças e saia do outro lado. |
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Com um palito coloco SB no furo
e encaixo um clipe, que servirá também para segurar a peça durante a
pintura. |
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A seguir passo adesivo epóxi
sobre a emenda e atrás do braço em pontos que não serão visíveis
após a montagem. Este adesivo não pode ser lixado ou limado (a não
ser com Dremmel), por isso é importante que seja aplicado somente em
lugares onde não fique aparente. Em compensação, após seco isso vira
uma pedra. |
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Finalmente, tudo está montado.
Alguns pontos a considerar:
1) O corpo foi fixado a base com epóxi pois é uma peça pesada. Não
foi necessário pinar porque os pés já vem com um encaixe para a
base. O pé esquerdo foi colado com o adesivo metálico que tem a mesma
textura do terreno.
2) Fiz furos nas peças para poder colocar um palito de forma a ter
onde segurar durante a pintura. Durante a pintura não se toca nas
peças.
3) Estes produtos que uso para colar tem um certo grau de toxicidade
e risco a saúde, portanto leia as instruções antes de usar. |
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Limpeza
O passo seguinte é lavar as
peças. Nada demais, usei apenas uma escova de dentes velha,
detergente comum de cozinha e um escorredor de arroz. Este último
serve para evitar que alguma pequena peça literalmente se vá pelo
ralo.
A utilidade da lavagem é remover qualquer sujeira que tenha
resultado dos processos de fundição e montagem e não deve ser
negligenciado. |
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Primer
As peças passaram 24h secando
sobre uma toalha velha, do tipo que não solta mais fiapo. Então dei
o primer.
Para aplicar o primer colei palitos nas peças menores, coloquei o
corpo sobre um vidro (qualquer coisa serve), e usei a broca para
segurar o conjunto capa/braço direito que é muito pesado para um
palito.
Encaixei tudo num suporte de isopor, destes que vem protegendo
produto eletrônico.
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O primer, também chamado de "fundo", tem como objetivo:
- Possibilitar ou melhorar a aderência da tinta que virá por cima do
metal ou resina da figura.
- Ressaltar eventuais defeitos que passaram despercebidos na
montagem.
- Cobrir pequenas imperfeições, irregularidades ou micro-bolhas.
- Proteger peças de metal contra a oxidação. |
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O primer não necessariamente precisa ser um produto especificamente
produzido para esta finalidade.
Durante muitos anos usei (e ainda uso) como primer tinta acrílica
Tamiya ou Hobby Cores diluídas em
álcool comum e aplicadas com aerógrafo.
Qualquer primer para mim é bom desde que:
1) seja utilizada uma cor clara (branco, areia, cinza claro) para
ressaltar os eventuais defeitos na peça;
2) seja aplicado com spray ou aerógrafo para melhor uniformidade;
3) resista ao solvente da camada base.
Se a camada base (aquela que vai sobre o primer) for esmalte, então uso primer acrílico. Se for acrílico
qualquer coisa serve como primer.
Primer acrílico tem ainda uma outra vantagem que é a fácil remoção
com Veja Multiuso no caso de
problemas. Primer esmalte requer thinner para ser removido o que
acaba com o emassamento, uma
péssima perspectiva.
Ultimamente tenho usado um primer da Colorgin (5300 - Uso Geral -
Primer Rápido Cinza). Este primer atende todos os requisitos de um
bom primer exceto que não pode ser removido com Veja Multiuso,
somente thinner ou terebintina, sendo que esta última preserva o
emassamento. Este primer tem um cheiro muito
forte e somente deve ser aplicado em local bem ventilado.
As peças foram então cobertas com o primer da Colorgin (2
aplicações). No dia seguinte inspecionei as peças e corrigi os
defeitos que ficaram.
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A Pintura do Elmo
Iniciei a pintura pela cabeça. Onde é pele ou cabelo a camada base é Humbrol 63 (Matt Sand). No elmo e na crista a camada base é Decorfix
preto fosco.
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A seguir vou pintar o elmo e a
crista. A crista vai ser vermelha. Começo aplicando vermelho
acrílico usando a técnica do pincel seco.
O elmo é de bronze dourado. Começo com Revell esmalte 92 pintado
quase como se fosse com a técnica do pincel seco, praticamente sem diluir a tinta. |
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A seguir reforço com óleo
Corfix preto a parte mais interna da crista para reforçar as
sombras. Quem não quiser usar óleo pode aplicar uma lavagem com
esmalte preto fosco. E, finalmente, repito a técnica do pincel seco com esmalte vermelho fosco
em toda a crista.
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Fiz as sombras do elmo também
com óleo Corfix preto. |
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Ao lado a foto do elmo
pronto. Um retoque de vermelho claro na crina e uma apicação de
pincel seco com Humbrol
16 Gold nos ressaltos metálicos completaram o serviço.
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Pintura do Rosto
O rosto será pintado de forma similar à descrita no artigo abaixo:
http://www.mmjmm.com/article32.asp
A foto ao lado é o rosto após a aplicação da mistura inicial (burnt
siena + um pouco de yellow ochre + um pouco de raw umber). |
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Em seguida o "blending" com
cadmium yellow.
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Os vários "blendings" com
titanium white. Notem na foto ao lado que as órbitas dos olhos foram
pintadas durante o processo. O ideal nesta escala é que o branco dos
olhos fique com a mesma cor dos pontos mais claros do rosto (nariz,
queixo, etc). |
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Agora os lábios pintados com
cadmium red.
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Reforcei as rugas e olheiras
com a mistura inicial. Pintei as sobrancelhas, as pestanas
superiores e os olhos de preto. Dei um toquinho de branco no canto
dos olhos para simular o brilho no olhar. Pintei a barba e os
cabelos de preto.
O rosto está brilhando muito. Isso é normal e
vai passar assim que a tinta secar, em dois ou três dias.
Para terminar fiz o delineamento do elmo. |
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Aqui está o rosto em sua versão
final. Para deixar a barba e os cabelos grisalhos usei a técnica do
pincel seco com
esmalte Humbrol 28 Camouflage Grey (um cinza claro).
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Minhas fotos ficam um pouco
mais amareladas que a realidade por causa da lâmpada. Outra vista da
cabeça pronta. |
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Pintura do Corpo
Para o corpo usei:
- preto fosco Decorfix acrílico para a base dos metais;
- leather Model Master acrílico para os couros (sapatos, franjas de
proteção, bailha da espada);
- branco Vallejo para as roupas.
A Leather da Model Master é a minha preferida para começar um
trabalho em couro. Prefiro a versão esmalte mas, como não tinha da
última vez que comprei, tive que ficar com a acrílica.
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Os metais seguem o mesmo método que usei no elmo.
Quanto às partes em couro, tentei pintar de diferentes tonalidades,
braceletes mais avermelhados, proteções mais gastas, bainha da
espada em couro novo.
Nas proteções, sobre a camada base de Model Master Leather apliquei
uma mistura de raw umber mais burnt sienna, o equivalente do "mundo
óleo" ao betume da judéia. |
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A seguir dei usei a técnica do
pincel seco com Humbrol
62 para envelhecer e desgastar o couro.
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O efeito ficou mais evidente
nos sapatos, onde forcei mais a mão para aumentar o desgaste.
Finalmente reforcei as sombras com raw umber puro. |
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Pintura da Pele de
Lobo
A camada base da pele de lobo
foi feita com Vallejo 70921 Uniforme Inglês.
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A seguir, pincel seco com cinza
claro. |
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Seguido de outro com branco
puro, mais leve, para realçar os detalhes.
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Algumas partes pintei de preto
seguindo a foto de um lobo real. |
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Pintura da Capa
A capa recebeu uma camada base
em vermelho claro (Vallejo 909 Vermillion).
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A seguir pintei a capa com
tinta a óleo. Preparei uma mistura de vermelho escuro com um pouco
de azul, o que resultou num vermelho muito escuro, quase um vinho.
Espalhei esta mistura sobre toda a capa. |
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A tinta a óleo espalha muito
fácil, não é necessário qualquer tipo de solvente. Também não é
necessário por uma "crosta" de tinta, apenas o suficiente para
cobrir tudo.
O próximo passo é remover o excesso do vermelho escuro com lenço de
papel ou papel higiênico.
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Nos pontos altos passei Cadmium
Red W&N, um vermelho muito claro que fica bem fosco ao secar, e fiz
o blending com o vermelho escuro. |
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Nos pontos baixos passei Corfix
65 Preto, outra cor que fica fosca quando seca, e também fiz o
blending.
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Algumas observações:
1) Ao contrário do que fiz acima, a maioria das referências sugere
raw umber ao invés de preto para as sombras em vermelho.
2) O brilho é devido ao fato da tinta estar úmida. Se o processo der
certo, após dois ou três dias estará tudo devidamente seco e fosco.
Se não estiver basta aplicar verniz fosco.
3) Somente quando a capa estiver completamente seca verifico se será
necessário algum retoque. Mexer na tinta a óleo enquanto ela seca
invariavelmente resulta em desastre.
4) Durante o processo de secagem a peça deve ficar protegida.
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Terreno
Fiz o terreno da seguinte
forma:
1) Misturei areia fina, cola branca e água, formando uma espécie de
"papa". Apliquei a coisa sobre toda a base. Quando seco apliquei uma
lavagem
com burnt sienna mais raw umber. |
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2) Coloquei uns pedregulhos na
frente da pedra onde a figura apoia o pé. Pintei as pedras todas com
Vallejo Stone, o mesmo wash do terreno e usei a técnica do pincel
seco com
diferentes tons de areia e cinza.
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3) Usei liquens para os
arbustos. A cor é natural.
4) Colei serragem fina pintada de verde em volta das pedras para
simular musgo. |
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5) Joguei uma pitada de "static
grass" sobre o terreno para simular grama.
É estranho ter de pintar pedras naturais, mas isso é necessário para
uniformizar a cor, caso contrário fica parecendo "fundo de aquário".
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Resultado Final
O resultado final pode ser
visto nas fotos a seguir. |
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